quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Planalto pressiona e diretor-geral do Dnocs deixa o cargo

ANDRÉIA SADI
DO PAINEL
26/01/2012 - 13h01
Atualizado às 13h35.
Folha.com

O diretor-geral do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), Elias Fernandes, deixou o cargo nesta quinta-feira (26) após relatório da CGU (Controladoria-Geral da União) apontar irregularidades em sua gestão.


A decisão foi tomada após conversa entre Fernandes e o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), seu padrinho político.


Deputado desafia Dilma e diz que PMDB não perderá cargo


Apesar de oficialmente o ministério afirmar que Fernandes pediu sua demissão, a Folha apurou que a saída foi decidida pelo Planalto e ocorre após Alves desafiar o governo a demitir o apadrinhado da legenda.


Hoje cedo, Fernando Bezerra (Integração Nacional) e a ministra Gleisi Hoffman (Casa Civil) conversaram com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e avaliaram que a situação de Fernandes estava insustentável.


Temer conversou com Alves, que encaminhou a demissão junto com Fernandes. Ficou acertado que o líder do PMDB indicará o substituto no Dnocs.


Por meio do Twitter, Alves diz ter sido comunicado pelo próprio Fernandes da sua demissão. "Elias acaba de me dizer q entendeu e agradeceu conversa leal do Min Fernando [Bezerra], que reafirmou absoluta confiança no trabalho realizado."


Em nota, o ministério afirmou que o secretário Nacional de Irrigação, Ramon Rodrigues, assume interinamente o cargo.


SUSPEITAS


O agora ex-diretor-geral passa por uma crise no órgão após relatório da CGU apontar desvio de R$ 192 milhões em obras tocadas pela autarquia.


O Dnocs é vinculado à pasta da Integração Nacional, comandada pelo ministro Fernando Bezerra, do PSB, que enfrenta suspeitas de favorecimento político na distribuição de verbas do ministério.


ALIADO


O PMDB é o principal aliado do PT na coalizão de Dilma Rousseff e foi um dos fiadores do governo em votações polêmicas de 2011, como a do Código Florestal.


Apesar da aliança, nos bastidores peemedebistas manifestam insatisfação. O partido avalia que não irá ganhar espaço na reforma ministerial e que o governo tenta enfraquecer Alves na disputa pelo comando da Câmara.


Apesar do acordo para a candidatura do peemedebista, setores do PT trabalham para que isso não aconteça.


A demissão de Fernandes já havia sido pedida à Casa Civil pelo ministro Fernando Bezerra em dezembro.


Temer, porém, interferiu na última quinta-feira (19) ao convocar o ministro para uma conversa em seu gabinete.


A Folha apurou que Bezerra foi lembrado nesse encontro, pois foi defendido pelo PMDB ao enfrentar suspeitas de irregularidades.


Nessa conversa, o ministro foi convencido em rever sua posição e encaminhar para o TCU (Tribunal de Contas da União) o relatório da CGU, inclusive avalizando a defesa do Dnocs.


As declarações do ministro de que a faxina no Dnocs será feita, porém, surpreenderam o PMDB.

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